Existe um transtorno que faz a pessoa viver em dúvida constante sobre o próprio relacionamento, mesmo quando ela realmente ama o parceiro. É o chamado TOC de relacionamento, uma forma de transtorno obsessivo-compulsivo que tem ganhado atenção depois que uma reportagem da BBC contou a história de duas mulheres que convivem com o problema.
Quem tem essa condição vive perguntando a si mesmo se realmente ama a pessoa com quem está, se está com quem deveria estar, se um dia vai trair. São pensamentos que não param e que atrapalham a rotina, o trabalho e até a vida social. Segundo especialistas, isso é bem diferente das dúvidas normais que qualquer casal tem de vez em quando. No TOC de relacionamento, os pensamentos tomam conta do dia e geram muita ansiedade.
Uma das mulheres ouvidas pela reportagem é Sophia, garçonete e criadora de conteúdo de 24 anos que vive na Inglaterra. Ela está em um relacionamento há mais de um ano, mas não consegue se livrar das dúvidas.
"Eu não conseguia sair de casa porque ficava com muito receio de trair meu namorado", contou.
Nos momentos mais difíceis, ela chegou a faltar ao trabalho e passava o dia inteiro na cama, fazendo perguntas ao ChatGPT na tentativa de se sentir mais segura.
Antes mesmo de namorar, Sophia já enfrentava outro tipo de TOC, relacionado à limpeza. Chegava a lavar as mãos mais de 30 vezes por dia. Quando conheceu o namorado, cerca de um mês depois de começarem a namorar, o transtorno passou a afetar diretamente o relacionamento. Pequenas coisas, como uma roupa ou um corte de cabelo de que ela não gostava, já eram suficientes para gerar uma crise de dúvidas.
"Meu cérebro começava a gritar para que eu terminasse com ele, mesmo sabendo que não era o que eu queria", disse ela, comparando a sensação a uma espécie de tortura mental.
Momentos importantes da vida a dois, como assumir o relacionamento, morar junto ou casar, costumam ser os principais gatilhos para o transtorno aparecer ou piorar. Segundo especialistas, qualquer pessoa pode desenvolver o problema, mas quem é mais perfeccionista ou tem o hábito de pensar demais nas coisas pode ficar mais vulnerável. As redes sociais também pesam bastante. Ver casais aparentemente perfeitos na internet pode fazer a pessoa comparar sua própria relação e se sentir ainda mais insegura, algo que a própria Sophia diz sentir na pele.
Gracie, outra mulher que participou da reportagem e convive com o transtorno há sete anos, reforça um ponto importante: ter esse tipo de TOC não significa que a pessoa não ama o parceiro. Pelo contrário, segundo ela, o transtorno costuma atacar exatamente aquilo que mais importa na vida de alguém, o que pode fazer a pessoa se sentir péssima consigo mesma.
Tanto Sophia quanto Gracie precisaram de remédios e terapia para conseguir lidar com os sintomas. Especialistas recomendam que, ao perceber esse tipo de pensamento constante atrapalhando a rotina, o primeiro passo é procurar um médico ou psicólogo. Também vale evitar ficar testando o parceiro em busca de provas de amor e reduzir o tempo em redes sociais e aplicativos de namoro, já que a comparação com a vida alheia pode piorar o quadro.
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.