A Prefeitura de Jacareí iniciou os procedimentos para desapropriar a área da antiga fábrica da Caoa Chery, instalada no município e sem produção desde maio de 2022. A informação foi revelada pela colunista do UOL Paula Gama.
A decisão foi formalizada em um ofício enviado às duas empresas responsáveis pela operação. No documento, com data de 20 de julho, a Prefeitura afirma que está esgotado o prazo concedido para que Caoa e Chery apresentassem um plano para a retomada das atividades na unidade.
Segundo o município, as empresas não apresentaram, dentro do prazo estabelecido, informações consideradas objetivas e atualizadas sobre a reativação da fábrica.
O início dos procedimentos, no entanto, não significa que a desapropriação já tenha sido concluída. Neste momento, o processo está na fase administrativa e ainda depende de outras etapas, que podem levar à edição de um decreto de desapropriação e, posteriormente, à incorporação da área ao patrimônio municipal. As empresas também podem contestar a medida.
A unidade de Jacareí tem capacidade nominal para produzir até 150 mil veículos por ano e está sem produção há mais de quatro anos.
Em 2022, quando anunciou a suspensão das atividades, a Caoa Chery informou que a paralisação seria temporária e teria como objetivo modernizar a linha de produção para a fabricação de veículos híbridos e elétricos. Na época, a previsão era de que a produção fosse retomada em 2025.
O prazo, porém, terminou sem a retomada das atividades e sem a apresentação de um novo projeto industrial para a unidade.
O ofício enviado agora pela Prefeitura também reúne o histórico das tentativas do município de obter uma definição sobre o futuro da fábrica.
Em junho de 2025, a administração municipal fez a primeira cobrança formal às empresas. Segundo a Prefeitura, a resposta apresentada na ocasião não trouxe informações consideradas objetivas sobre a retomada da unidade.
No mês seguinte, em julho de 2025, uma nova notificação alertou para a possibilidade de reversão da doação do terreno ou de desapropriação da área. O prazo inicialmente estabelecido era de 45 dias, mas acabou sendo ampliado para 12 meses a pedido das próprias empresas.
Já em abril de 2026, a Prefeitura fez uma nova cobrança e pediu que Caoa e Chery apresentassem uma manifestação objetiva sobre o interesse em buscar uma solução para o imóvel.
Diante do fim do prazo, o município informou que dará continuidade aos trâmites internos para a elaboração e publicação do decreto de desapropriação.
Apesar disso, a Prefeitura afirma que continua aberta ao diálogo com as empresas, desde que seja apresentada uma proposta concreta para o futuro da área.
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