Uma nova tecnologia voltada para pessoas com intolerância à lactose tem chamado atenção: os adesivos “Dear Dairy”, desenvolvidos pela empresa Barrière, que prometem liberar lactase de forma contínua ao longo do dia, sem a necessidade de comprimidos antes das refeições.
A ideia é simples: em vez de tomar cápsulas antes de consumir leite e derivados, o usuário aplicaria um adesivo na pele, que liberaria a enzima lactase aos poucos ao longo do dia.
Os adesivos já passaram por testes iniciais relatados pela fabricante e por avaliações independentes de uso em veículos de imprensa. Segundo essas informações, cada adesivo contém cerca de 2,5 miligramas de lactase, enzima responsável por ajudar na digestão da lactose, e foi projetado para liberar a substância no decorrer do dia, com duração de até 12 horas.
Em relatos publicados em testes realizados fora do ambiente laboratorial, uma usuária com intolerância à lactose utilizou os adesivos em diferentes situações e não apresentou sintomas após o consumo de alimentos com leite e derivados. Ainda assim, especialistas ouvidos nessas análises reforçam que, apesar dos resultados iniciais positivos, ainda são necessárias evidências clínicas mais robustas para confirmar a eficácia e entender como a enzima seria absorvida pelo organismo.
A gastroenterologista Dra. Supirya Rao afirma que o conceito é interessante, mas levanta dúvidas sobre o funcionamento do método. Segundo ela, os suplementos orais de lactase atuam diretamente no intestino, no momento em que a lactose está presente no alimento.
“Gostaria muito de ver evidências clínicas demonstrando que a lactase pode ser absorvida pela pele, permanecer ativa, entrar na corrente sanguínea e, em seguida, chegar ao intestino, onde é necessária”, explica.
Hoje, comprimidos de lactase como Lactaid e LactoJoy seguem sendo a forma mais utilizada e estudada para aliviar os sintomas da intolerância à lactose.
Especialistas também lembram que nem todo desconforto após o consumo de leite está ligado à intolerância à lactose. Sintomas como gases, inchaço e dor abdominal podem ter outras causas, por isso o diagnóstico correto é essencial antes de qualquer tratamento.
A nova tecnologia, por enquanto, é vista como uma promessa em desenvolvimento e não como substituta das opções já existentes.
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