segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Futebol

O que a Argentina campeã de 2022 pode ensinar ao Brasil de Ancelotti

Após o 1 a 1 com Marrocos, técnico italiano terá de decidir se muda a equipe para seguir sonhando com o título.

O que a Argentina campeã de 2022 pode ensinar ao Brasil de Ancelotti
Reprodução Foto: AquiVale/Imagens

O empate por 1 a 1 com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo expôs problemas que já preocupavam a torcida brasileira, especialmente a fragilidade e o espaçamento do meio-campo. Em um torneio de tiro curto, porém, o tempo para correções é escasso. E é justamente aí que surge uma comparação inevitável com a Argentina campeã do mundo em 2022.

Após a surpreendente derrota para a Arábia Saudita na estreia, Lionel Scaloni mostrou que não estava disposto a morrer abraçado com as próprias convicções. Contra o México, promoveu cinco mudanças na equipe titular: Acuña e Montiel entraram nas laterais, Guido Rodríguez e Mac Allister assumiram vagas no meio-campo nos lugares de Leandro Paredes e Papu Gómez, enquanto Cristian Romero deixou a equipe para a entrada de Lisandro Martinez. O resultado foi uma vitória que recolocou os argentinos na competição e deu início a uma reformulação que seguiria ao longo do torneio.

Mas Scaloni foi além. No jogo decisivo contra a Polônia, voltou a mexer no time e alterou o esquema tático. A Argentina deixou o 4-4-2 para atuar em um 4-3-3, manteve Mac Allister, promoveu Enzo Fernández entre os titulares e deu a Julián Álvarez uma oportunidade que acabaria mudando sua trajetória na seleção. A partir dali, o treinador continuou adaptando a equipe conforme cada adversário, sem medo de tirar nomes importantes ou mudar o desenho tático, e construiu o caminho até o título mundial.

O exemplo serve de alerta para Carlo Ancelotti. O treinador italiano já fez alterações durante o empate com o Marrocos, mas a Copa exige respostas rápidas. Endrick segue pedindo passagem e sua situação lembra a de Julián Álvarez antes de ganhar espaço na Argentina. No meio-campo, jogadores como Fabinho e Danilo Santos aparecem como alternativas para dar mais consistência a um setor que ainda não encontrou equilíbrio, enquanto Casemiro vive um momento de dificuldade.

Na próxima sexta-feira (19), contra o Haiti, o Brasil terá a chance de dar sua primeira resposta. Embora enfrente o adversário mais fraco do grupo, a Seleção entra pressionada pela vitória da Escócia sobre os haitianos, resultado que colocou os europeus na liderança da chave. Mais do que os três pontos, a partida poderá mostrar se Ancelotti está disposto a seguir o exemplo de Scaloni e mudar o que for necessário para buscar o hexacampeonato ou se permanecerá fiel às escolhas que iniciaram a caminhada brasileira no Mundial.

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