Uma mulher de 46 anos foi presa em flagrante nesta segunda-feira (22), no Parque Residencial Flamboyant, em São José dos Campos, durante operação da 2ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes da Deic que apurava o armazenamento e a possível venda irregular de medicamentos de uso controlado. A ação mobilizou cinco policiais e duas viaturas, que cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em dois imóveis ligados à investigação.
No primeiro endereço, nada de ilícito foi encontrado. No segundo, os agentes localizaram 32 frascos de tirzepatida, além de caixas vazias do medicamento, seringas, caixas térmicas de isopor e um celular. A mulher não apresentou nota fiscal, prescrição médica, comprovante de procedência nem autorização sanitária que justificasse a guarda das ampolas. Ela não tem antecedentes criminais.
A autoridade policial reconheceu situação de flagrante e enquadrou o caso no artigo 273 do Código Penal, que trata de condutas relacionadas à adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. A responsabilidade penal, no entanto, depende do encerramento do inquérito, da manifestação do Ministério Público e de decisão judicial. A defesa pode questionar a posse dos objetos e a finalidade atribuída ao material.
A Polícia Civil não divulgou marcas, lotes, dosagens ou países de fabricação das ampolas apreendidas, o que impede uma conclusão imediata sobre autenticidade ou validade. A perícia técnica vai analisar as ampolas durante o inquérito. O celular apreendido deve ser examinado em busca de conversas, contatos, comprovantes de pagamento e possíveis pedidos de clientes. As caixas vazias, por sua vez, podem ajudar a estimar a quantidade de produto que passou pelo imóvel antes da operação.
A investigação ainda precisa esclarecer se a mulher agia sozinha, de onde vinham os produtos e qual seria o destino das ampolas.
A tirzepatida é um medicamento injetável de uso controlado, aprovado pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 e também para o controle do peso em casos de obesidade com critérios clínicos específicos. O produto registrado no Brasil é comercializado com o nome Mounjaro. Desde junho de 2025, farmácias só podem vendê-lo mediante receita em duas vias, com retenção de uma delas. A venda por redes sociais, aplicativos de mensagens ou vendedores informais é proibida pela agência sanitária.
O caso não é o primeiro na região. Em março deste ano, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 51 caixas e 202 ampolas do medicamento na Via Dutra, em Jacareí, com destino a Taubaté. Em maio, um homem foi preso em Caçapava com 466 ampolas escondidas dentro de caixas de som, sem qualquer documento de procedência. No Litoral Norte, um farmacêutico foi preso em São Sebastião por manutenção de medicamentos irregulares e vencidos, entre eles a tirzepatida. Em Pindamonhangaba, um casal foi detido após investigação sobre a venda de canetas emagrecedoras falsas pelas redes sociais. Antes desta segunda-feira, a própria Dise de São José dos Campos já havia prendido seis mulheres em outra operação contra a comercialização irregular do mesmo medicamento na cidade e em Jacareí, quando foram apreendidas 69 ampolas. Não há informação de vínculo entre aquelas ocorrências e o caso do Parque Flamboyant.
A operação continua sob responsabilidade da 2ª Dise/Deic. Novos depoimentos, laudos técnicos e a análise do celular apreendido podem ampliar o alcance da investigação.
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