domingo, 9 de agosto de 2026
superação

Idosas usam boxe para ganhar força e autonomia em projeto social em São Paulo

O projeto Geração Nocaute reúne participantes duas vezes por semana e foi criado a partir da percepção de que a solidão e a falta de atividade física estavam entre os principais problemas enfrentados pela população idosa

Idosas usam boxe para ganhar força e autonomia em projeto social em São Paulo

Mulheres idosas do Bixiga, na região central de São Paulo, estão encontrando no boxe uma maneira de manter o corpo ativo, fortalecer a autonomia e ampliar a convivência social. O projeto Geração Nocaute reúne participantes duas vezes por semana e foi criado a partir da percepção de que a solidão e a falta de atividade física estavam entre os principais problemas enfrentados pela população idosa da região.

Entre as participantes está Maria Alaíde, conhecida como dona Azul, de 73 anos. Ela começou a treinar há pouco mais de um ano e relata ter percebido mudanças na disposição e na força. Em entrevista à Folha de S.Paulo, contou que se sente mais animada e chegou a comparar a sensação com a de ter 15 anos novamente.

As aulas são realizadas às terças e quintas-feiras e fazem parte de uma iniciativa da Associação de Mulheres Unidos Venceremos (Amuv) com a Casa Mestre Ananias. O projeto foi desenvolvido pelo professor Wellinton Souza depois de conversas com moradores e movimentos sociais do bairro para identificar necessidades dos idosos. A falta de movimento e o isolamento social apareceram entre as principais questões.

Apesar de estar associado às lutas, o treinamento não precisa ter como objetivo o combate. Os exercícios podem envolver movimentos de braços e pernas, deslocamentos, coordenação, equilíbrio e condicionamento físico.

No caso do Geração Nocaute, a proposta é utilizar esses movimentos como atividade física e também como forma de socialização. Segundo a reportagem da Folha, as participantes apresentaram ganhos relacionados à coordenação motora, equilíbrio, postura e mobilidade. Algumas delas chegaram a participar de um campeonato, incluindo dona Azul, aos 73 anos.

A experiência também encontra respaldo nas recomendações para o envelhecimento saudável. O Ministério da Saúde destaca que a atividade física regular pode melhorar força, equilíbrio, postura, autonomia e independência, além de contribuir para a saúde mental e para a redução do isolamento social.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas com 65 anos ou mais façam, além das atividades aeróbicas, exercícios que trabalhem força e equilíbrio. Para idosos com mobilidade reduzida, atividades voltadas ao equilíbrio e à prevenção de quedas devem ser realizadas em pelo menos três dias da semana.

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