terça-feira, 13 de outubro de 2026
saúde

Estudo associa uso de telas a pior desempenho escolar e dificuldades emocionais em crianças

Revisão publicada na revista JAMA Pediatrics reuniu 23 meta-análises, com dados de 2,8 milhões de crianças de 64 países; pesquisadores ressaltam que os resultados não comprovam uma relação de causa e efeito.

Estudo associa uso de telas a pior desempenho escolar e dificuldades emocionais em crianças
Foto: Reprodução

O uso de telas por crianças e adolescentes está associado a um desempenho acadêmico geral mais baixo, dificuldades no desenvolvimento da linguagem e mais problemas emocionais e comportamentais. A conclusão é de um estudo da Universidade de Calgary, no Canadá, publicado em 28 de setembro na revista científica JAMA Pediatrics.

A pesquisa reuniu dados de 23 meta-análises, que, juntas, representam mais de 2,8 milhões de crianças de até 18 anos em 64 países. Os pesquisadores analisaram a relação entre a exposição a telas e diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, incluindo aprendizagem, habilidades cognitivas, saúde mental e convivência social.

Quais foram os resultados?

A análise identificou associações entre maior exposição a telas e menor desempenho acadêmico geral, além de habilidades linguísticas inferiores. Os pesquisadores também encontraram relações com problemas emocionais, dificuldades de comportamento e problemas de relacionamento com outras crianças.

No campo da saúde mental, o uso de telas foi associado a comportamentos internalizantes, que incluem sintomas de ansiedade e depressão. O uso de redes sociais também apresentou associação com esse tipo de dificuldade.

Os resultados, porém, não foram iguais em todas as áreas avaliadas. A pesquisa não encontrou associações estatisticamente consistentes entre a exposição a telas e o desempenho em matemática, ciências ou leitura. Também não identificou uma relação clara com as funções executivas, habilidades envolvidas em processos como planejamento, organização e controle de impulsos.

Efeitos não significam causa direta

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo não permite afirmar que o uso de telas seja, por si só, responsável pelas dificuldades identificadas. A revisão aponta associações estatísticas, que podem envolver outros fatores relacionados ao desenvolvimento infantil.

Entre os aspectos que precisam ser considerados estão as condições socioeconômicas, o comportamento dos responsáveis e as características do ambiente familiar. As rotinas de sono e a forma como os dispositivos são utilizados também são importantes para compreender essa relação.

Outra limitação é a dificuldade de diferenciar, de forma consistente, os efeitos de cada tipo de atividade digital, como jogos, vídeos e redes sociais. Por isso, os resultados não devem ser interpretados como se todas as formas de uso de telas tivessem os mesmos efeitos.

O estudo reforça a importância de investigar como a exposição a dispositivos digitais se relaciona com o desenvolvimento infantil. Os resultados indicam que o tema precisa ser analisado considerando não apenas o tempo diante das telas, mas também o contexto familiar, os hábitos cotidianos e o tipo de conteúdo consumido pelas crianças.

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