Pela primeira vez no século, nenhuma das chapas consideradas competitivas na disputa das eleições de 2026 terá uma mulher como candidata à Presidência ou à Vice-Presidência, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
Desde a eleição de 2002, ao menos uma mulher ocupou uma das posições nas principais chapas presidenciais. Ao longo desse período, nomes como Dilma Rousseff, Marina Silva, Simone Tebet, Manuela d'Ávila e Ana Amélia participaram de disputas nacionais, seja como candidatas à Presidência ou à vice, mantendo a presença feminina entre as campanhas com maior competitividade.
O cenário de 2026 foi consolidado após a definição das chapas durante as convenções partidárias. Mesmo com candidaturas femininas registradas para a Presidência, elas pertencem a partidos sem representação significativa no Congresso Nacional e não aparecem entre as principais forças da disputa eleitoral.
A ausência de mulheres nas chapas mais competitivas ocorre apesar de elas representarem a maioria do eleitorado brasileiro. Nas últimas eleições, o voto feminino teve papel decisivo nos resultados e continua sendo considerado estratégico pelas campanhas presidenciais.
Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que o cenário evidencia as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para alcançar os cargos mais altos da política nacional. Entre os fatores apontados estão a baixa presença feminina nas estruturas de comando dos partidos, a menor disponibilidade de recursos para campanhas e a predominância masculina nas negociações para formação das chapas.
Embora a participação das mulheres tenha crescido nas últimas décadas em diferentes níveis da política brasileira, a composição das chapas presidenciais de 2026 representa um recuo simbólico na representatividade feminina na disputa pelo cargo mais importante do país.
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