domingo, 11 de outubro de 2026
mundo

Cientistas desenvolvem banana que demora mais para escurecer após ser cortada

Variedade criada por empresa britânica usa edição genética para reduzir a oxidação e pode ajudar a diminuir o desperdício de alimentos; produto já recebeu autorização para venda no Brasil, no Japão e nas Filipinas.

Cientistas desenvolvem banana que demora mais para escurecer após ser cortada

Uma empresa britânica de biotecnologia agrícola desenvolveu uma variedade de banana que demora mais para escurecer depois de ser descascada ou cortada. A inovação utiliza edição genética para reduzir a ação de uma enzima responsável pela mudança de cor da polpa e pode ampliar o uso da fruta em alimentos prontos para consumo, além de contribuir para a redução do desperdício.

A variedade foi desenvolvida pela Tropic, empresa especializada em melhoramento genético de culturas agrícolas. Segundo a companhia, a banana mantém o sabor e a textura característicos da fruta convencional, mas permanece amarela por mais tempo após ser aberta ou cortada.

Em declarações reproduzidas pelo jornal britânico The Guardian, o diretor-executivo da empresa, Gilad Gershon, afirmou que a polpa pode levar pelo menos um ou dois dias a mais para escurecer. O período pode ser ainda maior quando a fruta é mantida sob refrigeração.

Como funciona a tecnologia

O escurecimento da banana ocorre principalmente pela ação da enzima polifenol oxidase (PPO). Quando a fruta é descascada ou cortada, os tecidos internos entram em contato com o oxigênio do ar, desencadeando reações químicas que provocam o aparecimento de manchas escuras.

Para retardar esse processo, os cientistas da Tropic utilizaram a técnica de edição genética CRISPR-Cas9, que permite fazer alterações específicas no DNA. O método foi empregado para reduzir a produção da enzima responsável pela oxidação, sem a necessidade de introduzir material genético de outras espécies.

A tecnologia busca preservar a aparência da fruta por mais tempo, sem alterar suas características de consumo. Estratégias semelhantes de edição genética também vêm sendo estudadas e aplicadas em outros alimentos, como cogumelos, tomates e morangos.

Objetivo é reduzir o desperdício

A mudança na aparência pode influenciar a decisão de consumidores e comerciantes de descartar bananas que ainda estão próprias para o consumo. Com o escurecimento mais lento, a expectativa é ampliar o tempo em que a fruta mantém uma aparência considerada atrativa.

A inovação também pode facilitar o uso de bananas em produtos pré-embalados, como saladas de frutas e refeições prontas para o café da manhã, nos quais a mudança de cor costuma comprometer a apresentação do alimento.

Um levantamento do governo britânico divulgado em 2017 apontou que cerca de 1,4 milhão de bananas próprias para consumo eram descartadas diariamente no Reino Unido. Segundo o estudo, parte dos consumidores jogava a fruta fora ao perceber manchas escuras ou pequenos amassados.

A Tropic também estima que a tecnologia possa contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas ao desperdício e à cadeia de exportação de bananas. A empresa projeta uma redução superior a 9 milhões de toneladas de CO₂ por ano no mercado de exportação, embora esse resultado dependa da adoção da variedade e da redução efetiva das perdas.

Banana já tem autorização para venda no Brasil

A empresa informou que a variedade já recebeu autorizações para comercialização no Brasil, no Japão e nas Filipinas. No Reino Unido, o produto também obteve aval do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), conforme as regras inglesas para plantas desenvolvidas por meio de técnicas de melhoramento genético de precisão.

Apesar disso, a liberação para comercialização como alimento no mercado britânico ainda depende de uma avaliação da Agência de Padrões Alimentares do país.

O desenvolvimento faz parte de uma série de pesquisas que buscam utilizar a edição genética para melhorar características agrícolas e reduzir perdas na produção e na distribuição de alimentos. No caso da banana, a proposta é prolongar a aparência fresca da polpa sem modificar o sabor e a textura, o que pode favorecer o aproveitamento da fruta em diferentes etapas da cadeia de consumo.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu Comentário

Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.